Eu vou com os loucos!

Hoje chamaram-me louco. Assim, de caras, com todas as letras, L-O-U-C-O! Provavelmente não foi esta a primeira vez que o fizeram na minha vida mas, das vezes anteriores, a coisa afectou-me de tal forma que... nem me recordo. Desta vez, a situação é diferente porque não me deixam outra alternativa senão reconhecer que têm razão. Eu estou efectivamente, objectivamente e indiscutivelmente louco varrido, maluco, pirado, chanfradinho de todo! Fiquei assim por uma mulher (Por que outro motivo poderia ser??? De todos os loucos do Mundo, 99% devem ter ficado assim por uma mulher!) com quem partilhei quase uma década da minha vida, com quem concebi projectos e planos para o meu futuro, com quem alimentei sonhos de casamento, de filhos, de casa, de cães, de um canteiro com uma roseira, enfim, de todas aquelas coisas que toda a gente diz que são banais mas que, no fundo, no fundo, toda a gente deseja ter a dada altura das suas vidas quando se cansa de andar a abanar o capacete pelas discotecas. Uma mulher que, após milhares de juras de amor e de fidelidade, de milhões de beijos e centenas de quecas (era bom que tivesse sido ao contrário, mas eu não sou o Super-Homem), me abandonou numa certa noite alegando que estava farta de mim. Assim, nem mais nem menos. Fartou-se. E lá se foram os filhos, a casa, os cães e a roseira pela cagadeira abaixo de uma assentada só! O problema (e aqui é que reside a maior evidência da minha loucura) é que isto aconteceu há quatro anos atrás e eu ainda penso nessa mulher como se ela estivesse presente a cada dia da minha vida, como se ela fosse chegar à minha beira a qualquer momento e dizer, como disse tantas e tantas vezes antes, -"Amor, cheguei!", e abraçar-me, beijar-me e contar-me como lhe correu o dia.Os meus amigos bem me disseram -"Pá, esquece essa cabra, parte para outra, há por aí paletes de gajas boas!" e eu parti. Não sou o Brad Pitt, refira-se, mas ainda sei levar a água ao meu moinho. Em quatro anos tive outras tantas namoradas, mas quando a ilusão inicial se dissipava à luz da razão (ou da demência, vá-se lá saber), lá vinham as inevitáveis comparações e as saudades da dita cabra e lá voltava eu para o meu curral. Sozinho, claro.

Um dia, decidi procurar ajuda de um psicólogo. Entrei, sentei-me na poltrona (que aquilo do paciente deitar-se num sofá, pelos vistos, só acontece na televisão, eu é que não sabia disso porque nunca tinha estado em nenhum consultório desse género e fiquei com ar de parvo a pensar "E agora, onde é que eu me deito?") e o tipo perguntou-me - "Então o que o traz por cá?". Depois de lhe contar a minha história, disse-me: -"Esse é um problema cuja solução terá de ser encontrada dentro de si", ao que eu respondi -"Obrigado!". Saí e nunca mais lá pus os pés.

Que se fodam os teóricos do amor! Se o amor fosse uma ciência exacta, regia-se por teoremas e corolários e bastava ter uma máquina de calcular para encontrar a solução para tudo! Máquinas de calcular não me faltam, soluções é que é o caralho! O ser humano é, por si só, um Universo de emoções, sentimentos e experiências. Ora, da mesma forma que seria ridículo a Humanidade procurar a solução para os problemas do seu Mundo no Universo ao lado, também é perda de tempo uma pessoa procurar a solução dos seus problemas noutra pessoa, mesmo que essa possua um canudo e uma poltrona. Só lamento ter pago 60 euros para perceber algo tão óbvio!

Hoje, cheguei finalmente a uma conclusão. Durante quatro anos eu arrastei penosamente atrás de mim uma corrente com uma gigantesca bola de ferro, mas não pelos motivos que, à partida, eu imaginava. Eu acreditei que não podia continuar a amar aquela mulher simplesmente porque me disseram que é assim que as coisas funcionam, que os namorados, quando acabam, têm de substituir o amor pelo ódio que são duas faces da mesma moeda, que ela me maltratou, abandonou e fugiu e o verdadeiro macho latino não pode aceitar isso de ânimo leve, que isto e aquilo e etcetera e tal. Na verdade, o maior peso que carreguei na minha consciência foi a tentativa frustrada de esconder os meus sentimentos por vergonha ou por receio daquilo que pensassem de mim. Sempre fui um actor de merda e andei a gastar as minhas energias num teatrinho que me deixou exausto. Dificilmente conseguiria convencer alguém de que deixei de a amar, por isso, assumo a minha loucura de peito aberto! Amo-a, sempre a amei e nunca deixei de a amar! Internem-me, foda-se!!! Estranho Mundo este em que quem ama é considerado louco, merecedor de internamento imediato, e aqueles que se fartam do amor são considerados sãos e equilibrados mentais! Pois que se fodam os sãos, então! Eu vou com os loucos!

publicado por Rui Moreira às 12:47 link do post | comentar | favorito